Fãs do cinema de terror mais antigo guardam um carinho especial por ‘Suspiria’, de Dario Argento, lançado em 1973. A trilha sonora fantasmagórica da banda italiana Goblin, as mortes no maior estilo “gore” e as cores exageradas eram alguns dos elementos fundamentais de um filme que abria mão de um roteiro encaixadinho para se aproximar à sensação ilógica de um pesadelo.

A nova versão, que ganhou no Brasil o subtítulo ‘A Dança do Medo’ e chega aos cinemas nesta quinta-feira, não é uma experiência tão radical assim, mas ainda está bem longe de ser tradicional. O italiano Luca Guadagnino (de ‘Me Chame Pelo Seu Nome’) é o responsável pela adaptação, que tem Dakota Johnson (revelada na franquia ‘Cinquenta Tons de Cinza’) à frente do elenco.

Ela interpreta Susie, uma dançarina norte-americana que chega a Berlim para se juntar a uma renomada companhia artística. Seu talento deixa todas as colegas estupefatas, inclusive a rígida condutora, Madame Blanc (Tilda Swinton). Mas aos poucos a protagonista vai percebendo que uma disputa de poder no local esconde ligações com poderes ocultos, com bruxas pairando sobre o alojamento e mulheres desaparecendo misteriosamente.

Apesar de Johnson ser, teoricamente, a personagem principal, sua trajetória corre em paralelo com a do psicólogo Dr. Klemperer (um velhinho interpretado também por Tilda Swinton, disfarçada por atuação e maquiagem que deveriam ter sido lembradas na última temporada de premiações). A figura do veterano é uma das principais mudanças que Guadagnino faz em relação ao original, dando-lhe uma trama própria, que investiga a companhia de dança enquanto lida com os fantasmas da Guerra Fria, numa Alemanha até então ainda sofrendo com as cicatrizes do nazismo.

Esse contexto político-social é outra diferença que dá a ‘Suspíria – A Dança do Medo’ a capacidade de suscitar diferentes leituras. O terror do filme pode, por exemplo, ser encarado como uma alegoria a um passado que permance assombrando a cidade e influenciando as vidas de quem está por ali. O epílogo do longa reforça essa interpretação.

Ainda assim, quem for ao cinema em busca apenas de ver o bicho pegando na tela vai encontrar pelo menos dois momentos grandiosos. Um é a cena em que a edição intercala imagens da performance de Susie com o ataque sobrenatural a uma de suas colegas. Outro é o clímax, no qual o clima predominantemente sofisticado do filme dá lugar ao trash numa longa sequência pontuada pela trilha atmosférica composta por Thom Yorke, vocalista do Radiohead.

Do Yahoo

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